Website na Era da IA: Ainda Vale a Pena ter um Site em 2026?

O comportamento de pesquisa na web já não é o mesmo
Há 5 ou 6 anos os sites eram feitos para serem consumidos por seres humanos. Para conseguir posicionar bem o seu site era preciso dominar todas as técnicas de SEO, aparecer nas primeiras páginas do Google e usar as palavras-chave certas que o seu público estava a usar nas pesquisas do motor de busca mais usado naquela altura, que era o Google.
Até é estranho escrever isto, mas só mostra como a tecnologia avança rápido, e nós somos a geração que está a viver estas transformações que impactam o nosso dia a dia, a nossa vida e os nossos negócios.
Uma das partes do nosso negócio que foi afetada é a forma como os usuários interagem com a internet. Antes, se alguém precisava de algo, pegava no telefone ou no computador, ia ao Google e pesquisava a informação que queria. As empresas, com as suas técnicas de SEO, procuravam destacar-se para aparecer como primeira opção no motor de busca, no máximo até à terceira posição, porque a partir da quarta posição já não interessava muito — dificilmente alguém clicava.
Mas como a vida é dinâmica, chegou o advento da inteligência artificial e mudou quase tudo, se não tudo, na forma como interagimos com a web. Já não usamos tanto os motores de busca como o Google, o Bing e o falecido Yahoo para pesquisar — usamos os chats das LLMs, onde interagimos de forma tão natural como se estivéssemos a conversar com alguém, e expomos as nossas dúvidas, necessidades e muito mais. É a isto que hoje se chama, de forma mais elegante, AI Search, ou pesquisa generativa.
A partir desse momento a interação com a web mudou. As pesquisas ganharam outro formato: deixámos de perguntar ao tio Google e começámos a perguntar ao sobrinho recém-chegado, o ChatGPT, como fazer tal coisa, onde comprar tal produto, o que dizem sobre determinado assunto, ou se a empresa X é mesmo boa e se os serviços ou produtos que vende valem a pena.
Essa nova forma de interagir com a web mudou completamente o comportamento do usuário na internet. A IA veio para ficar, não é passageira, e por isso é preciso adaptar-se a esta nova realidade. Durante décadas construímos sites para serem consumidos por pessoas, e agora temos um novo usuário no site — que nem sempre é humano.
Como a IA está a mudar a forma como as pessoas procuram informação
Uma das grandes mudanças que se pode observar com a IA é o destino do tráfego dos usuários. Antes, as pessoas pesquisavam na web e eram direcionadas para os sites de maior destaque. Agora, poucas pessoas clicam num link para entrar no site — o que fazem é interagir com os chats das LLMs e obter a informação que lhes interessa, muitas vezes sem chegarem a ter contacto direto com a empresa sobre a qual estavam a pesquisar.
O ChatGPT tem aproximadamente 900 milhões de usuários ativos semanais. O Google Gemini tem cerca de 750 milhões de usuários mensais. O Perplexity processa aproximadamente 780 milhões de consultas por mês. Todos estes usuários recebem respostas prontas, muitas vezes com citações, sem precisarem de clicar em lado nenhum.
A Gartner já tinha previsto este movimento: por volta de 2026, o volume de pesquisa tradicional deveria cair cerca de 25%, com os chatbots de IA a tomar uma fatia grande do mercado que antes era só do Google (Gartner, via CMSWire).
Um dado curioso é que a taxa de cliques em links está cada vez mais baixa, e um dos motivos é a própria comodidade da IA. Existir uma ferramenta que "faz tudo por nós" tornou os usuários um pouco mais preguiçosos na hora de pesquisar sozinhos e de analisar criticamente a informação que recebem.
A forma antiga de pesquisar e de interagir com a internet já mudou. O que resta saber é como as empresas devem adaptar-se a esta nova realidade.
O que muda para as empresas quando o cliente pesquisa com IA
Para as empresas que estão a ver o fluxo de acessos ao site cair, o mais importante é perceber isto: o interesse de compra do lado do usuário continua a existir. A procura é grande, o que mudou foi a forma como essa procura está a fluir neste novo cenário.
As empresas devem estar onde a procura existe, e agora a procura está nos chats das LLMs. É lá que as empresas precisam de estar. Já falámos deste tema por outro ângulo no artigo Como a IA ajuda pequenas empresas a captar mais clientes, onde mostramos como negócios pequenos podem usar a IA para organizar leads e vender mais sem grandes orçamentos. E é exatamente sobre isto que vamos falar a seguir.
Será que ainda faz sentido ter um website na era da IA?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares, na minha visão, porque a resposta vai determinar se a sua empresa se vai destacar neste novo oceano azul que surgiu — os chats das LLMs. É lá que a procura está, e quem se posicionar melhor vai ficar com a melhor fatia dela.
E a resposta é SIM. Há quem diga que os sites corporativos já são obsoletos, que já não cumprem a sua função porque a procura do usuário já não é direcionada para os sites, que o próprio Google prioriza as respostas geradas por IA, que os formulários nos sites já não servem para nada, e por aí fora.
Isso faz-me lembrar uma história bem conhecida:
De uma empresa europeia que enviou o seu representante a uma colónia do seu país para vender calçado. Ao chegar a África, o representante viu boa parte das pessoas descalças e escreveu uma carta a dizer que não dava para vender sapatos ali. A empresa, vendo uma grande oportunidade de negócio, enviou outro representante. Este, ao chegar, viu exatamente a mesma coisa — mas viu uma demanda gigantesca. Escreveu uma carta urgente: "Enviem-me todos os sapatos que tiverem, porque aqui há uma demanda enorme."
Da mesma forma que o primeiro vendedor não via mercado, muitas empresas acham que não há potencial em ter um website na era da inteligência artificial. Mas esquecem-se de um detalhe importante: para ser citado pelos agentes de IA é preciso existir na web. Assim como o primeiro vendedor não via potencial de venda porque as pessoas não tinham o hábito de calçar sapatos, um site construído com as técnicas de há 5 anos também não tem potencial de vendas para a grande oportunidade que temos agora.
É importante preparar-se para a nova procura que está a chegar ao seu negócio, e estar pronto para satisfazer as necessidades deste novo cenário.
Como a IA pode tornar websites comuns menos relevantes
Sites construídos apenas para captar o lead e levá-lo até um formulário, sites com uma estética impecável mas que os mecanismos de pesquisa das IA não conseguem ler, tornam-se obsoletos e irrelevantes para as IA. É importante perceber que a função de um website já não é apenas captar um volume enorme de tráfego por si só.
A lógica mudou, e quando insistimos em otimizar só para essa vertente antiga, tornamo-nos praticamente invisíveis para as IA. Se o site da sua empresa não se comunica com o sobrinho ChatGPT e só fala com o tio Google, está fora do jogo.
O foco agora deve ser:
- Que o site seja citado pelo sobrinho nas suas conversas com os usuários
- Perceber que o site já não é o centro das atenções, mas sim a fonte de informação que alimenta o sobrinho
- Ter um site bem estruturado em SEO, GEO e AEO
Porque aparecer numa resposta de IA não significa que o website perdeu importância
Muita gente interpreta mal este momento. Vê que o ChatGPT respondeu à pergunta sem precisar de abrir o site da empresa e conclui: "então o site já não serve para nada". É exatamente o contrário.
Para o ChatGPT, o Gemini ou o Perplexity conseguirem responder com uma citação sobre a sua empresa, alguém teve de escrever aquele conteúdo nalgum lugar — e esse lugar, na maioria das vezes, é um website. As LLMs não inventam informação sobre a sua empresa do nada, vão buscá-la a fontes que rastreiam na web. Sem site, não há fonte. Sem fonte, não há citação. Sem citação, a sua empresa nem sequer entra na conversa.
Aparecer citado numa resposta de IA é, na verdade, prova de que o site está a fazer o seu trabalho — só que agora o trabalho não termina no clique. O clique deixou de ser o único indicador de sucesso; a citação, a menção da marca e a presença dentro da resposta tornaram-se o novo topo do funil. O site continua a ser essencial, só mudou quem costuma passar por ele primeiro.
Porque a sua empresa ainda precisa de um website
Quando falamos em ter um site, muitas vezes perguntamo-nos se é mesmo necessário, principalmente quando a empresa não vende nenhum produto ou serviço pela internet.
Mas o site não serve só para quem vende online. Mesmo as empresas que não vendem através de meios digitais precisam de ter uma presença forte e bem posicionada na web, porque as pessoas procuram informação sobre empresas na internet, e as LLMs que os usuários usam hoje para pesquisar precisam de uma fonte de onde tirar os dados sobre a sua empresa para poderem responder ao usuário.
É através do site que a sua empresa tem a possibilidade de:
- Mostrar a sua autoridade
- Contar a sua história
- Definir o seu posicionamento
- Expressar a sua visão única
- Proporcionar experiências únicas
- Recolher dados de leads de forma dinâmica e eficiente
- Ter um canal de conversão de lead em cliente
A IA está a remodelar a forma como os leads descobrem uma empresa, um serviço, um produto, um conteúdo ou um e-book. Nesta nova era da internet, é importante posicionar a sua empresa para ser citada pelas inteligências artificiais.
A IA veio para ficar e é uma ferramenta que cada vez mais pessoas usam para pesquisar, tirar dúvidas ou resolver o dia a dia. É importante perceber que estamos num momento em que muitos leads têm o primeiro contacto com a sua marca através de um resumo gerado por IA.
E esses modelos de inteligência artificial não "inventam" informação — extraem-na de algum lugar na internet e de outras fontes usadas no seu treino. Por isso é essencial posicionar a sua marca de forma correta para o SEO, o GEO e o AEO.
O website é o espaço digital que a empresa controla
A sua empresa, e nem sequer você, é dona da sua página de Facebook, Instagram, TikTok, LinkedIn ou qualquer outra rede social. Você é um inquilino a arrendar espaço para expor a sua marca.
As redes sociais são como a publicidade que a sua empresa faz na rua. Imagine que tem uma equipa de publicidade nas ruas da cidade: aborda potenciais clientes, cola cartazes em certos pontos, paga por um espaço num outdoor. A sua empresa pode fazer tudo isso, mas não tem controlo total sobre aquele espaço, porque quem dita as regras da cidade e de como a publicidade deve ser feita não é a sua empresa, é a câmara municipal. É a mesma coisa com as redes sociais: a sua empresa não controla as regras que lá se aplicam.
As regras que hoje o favorecem, amanhã podem prejudicá-lo, e já vimos isso acontecer várias vezes. Um exemplo são as novas políticas de uso que o YouTube aplicou em 2026, que fizeram muitos criadores de conteúdo perderem os seus canais ou a monetização, simplesmente porque a plataforma decidiu mudar as regras do jogo.
Já o seu site é a sua casa. É o espaço onde tem controlo total sobre como quer conduzir a experiência do usuário, de acordo com as diretrizes da sua marca, os seus objetivos e as emoções que quer que o lead sinta em cada etapa da experiência que lhe está a proporcionar.
O website reduz a dependência de plataformas de terceiros
À medida que consolidamos a nossa presença na web através do nosso site, a dependência dos canais das redes sociais vai diminuindo, porque o canal de aquisição de clientes deixa de estar apenas dependente da vontade dos outros e passa a estar assente no nosso próprio website. O site da sua empresa deve ser a espinha dorsal do seu negócio.
Com isto não estou a dizer que não deve ter páginas nas redes sociais. O que digo é que esses canais devem complementar a informação que existe no site, e que todos devem apontar para lá, porque é o site que é o canal de conversão de lead em cliente.
Se a sua empresa ainda recebe contactos avulsos pelo WhatsApp e pelas redes sociais sem um lugar central para os organizar, vale a pena ler CRM para PMEs em Moçambique: como organizar leads de WhatsApp e site sem perder vendas.
O website é uma fonte oficial de informação sobre a empresa
Nesta era da IA, o site vai muito mais além. Já não se limita a controlar a narrativa da sua marca, serve também para alimentar as IA como o ChatGPT, o Perplexity, o Gemini e tantas outras. Como já foi dito, a forma como os usuários interagem com a web mudou: antes pesquisavam no Google, hoje conversam com as LLMs perguntando exatamente o que querem saber, e assim obtêm respostas rápidas e eficientes.
Quando têm interesse num produto ou serviço, são as LLMs ou os agentes de IA que fazem a pesquisa na web por eles. Se o seu site não estiver visível para essas IA, a sua empresa perde um potencial enorme de vendas — usuários que já passaram por um filtro feito pela IA, e não mais pelo conteúdo que criamos nos nossos próprios blogs.
Já falámos sobre esta mudança no topo do funil de marketing no artigo Marketing digital em Moçambique: por que falha sem CRM, processo e IA prática, onde explicamos porque a prospeção de leads como se fazia há alguns anos já não funciona sozinha.
Hoje os usuários fazem perguntas como estas diretamente aos assistentes de IA:
- Quais são as melhores agências para X na minha cidade ou bairro?
- O que é que [a sua marca] realmente faz?
- Como posso resolver este problema?
- Qual é a diferença entre o produto ou serviço da empresa A e da empresa B?
- O que dizem as pessoas sobre esta empresa?
- Qual é a localização, o número de telefone e outras informações práticas?
Se a sua empresa não tem site, ou tem um site construído com o modelo de 2020, lamento informar: está a perder dinheiro, e pode ter a certeza de que o seu concorrente já está a surfar neste oceano azul que está apenas no início.
Não basta ter um site. É preciso ter um site construído para comunicar de forma eficiente e clara com os usuários e com os agentes de IA. O seu site precisa de facilitar a comunicação com o potencial cliente e com a IA, tendo o SEO, o GEO e o AEO bem estruturados. É preciso deixar claro:
- Quem é você?
- O que você oferece?
- A quem você serve?
- Como você ajuda?
- Quais são os seus resultados e provas disso?
O website pode tornar-se uma fonte para sistemas de IA
A pior coisa que a sua empresa pode fazer é decidir ter um site, mas construí-lo com as regras do passado. E quando falo do passado, não estou a falar de há 10 anos — estou a falar de técnicas de construção de sites que funcionavam bem em 2020, e que hoje já estão completamente obsoletas.
Ao construir um site é importante ter o SEO bem montado, mas é igualmente essencial que o conteúdo esteja escrito de forma clara, direta e organizada em blocos fáceis de extrair: títulos que fazem perguntas reais, parágrafos curtos com a resposta logo a seguir, listas quando fizer sentido. É assim que um agente de IA consegue "ler" o seu site com a mesma facilidade com que um humano lê um cartaz bem feito. Um site pode literalmente tornar-se uma das fontes que uma IA usa para responder sobre a sua área de negócio, mas só se for fácil de rastrear, de entender e de citar.
O website continua a ser um ativo de conversão
Por mais que a descoberta da sua marca aconteça agora dentro de um chat de IA, a conversão — a venda, o pedido de orçamento, a marcação de uma reunião — continua a acontecer, na maior parte das vezes, no seu site. O ChatGPT não tem carrinho de compras, não tem formulário de agendamento, não tem WhatsApp integrado com o seu CRM. Ele leva o usuário até à porta; quem faz a venda continua a ser você.
É por isso que o site não perde a função de converter, só passa a receber visitantes mais qualificados e mais avançados no processo de decisão. Um lead que chega ao seu site depois de o ChatGPT o recomendar já comparou preços, já leu sobre a sua empresa e sobre os concorrentes, e já decidiu, mais ou menos, o que quer. Chega mais perto do "sim". Se o seu site estiver preparado para fechar esse "sim" — com uma chamada de ação clara, um formulário simples, um número de WhatsApp visível — a conversão torna-se mais fácil, não mais difícil.
O novo papel do website na era da inteligência artificial
Se até aqui ficou claro que o site continua a fazer sentido, a pergunta que fica é: sentido para fazer o quê, exatamente? O papel do site mudou, e é isso que vamos ver a seguir.
De montra digital para fonte de informação
Durante anos, o site funcionou como uma montra: bonito, visual, feito para impressionar quem clicava. Hoje, boa parte de quem "visita" a sua empresa nunca vai ver o site com os próprios olhos, vai receber um resumo dele, escrito por uma IA, a partir do conteúdo que lá está.
Isto significa que o site deixou de competir só pela atenção visual de uma pessoa e passou a competir pela clareza da informação que uma máquina consegue extrair dele. Uma imagem bonita não ajuda o ChatGPT a perceber os seus preços, o seu horário de funcionamento ou o que torna o seu serviço diferente do concorrente. Um texto claro, sim.
De página institucional para ativo de descoberta
O site institucional clássico — "Sobre nós", "Serviços", "Contactos" — foi pensado para quem já sabia que a empresa existia e queria confirmar detalhes. Hoje, muitas vezes, é o próprio site que precisa de fazer a empresa ser descoberta pela primeira vez, através de uma IA que está a comparar várias opções para um usuário que nunca tinha ouvido falar da sua marca.
Isso muda a forma como o site deve ser pensado: já não basta existir, tem de responder às perguntas que um potencial cliente faria antes mesmo de saber o seu nome. "Qual a melhor agência de marketing digital em Maputo", por exemplo, é uma pergunta de descoberta, e só aparece na resposta de uma IA quem tiver conteúdo relevante e bem estruturado sobre esse tema.
Como preparar o website para pesquisa tradicional e pesquisa com IA
Vale a pena parar aqui e clarificar três termos que já usei várias vezes neste artigo, porque a confusão entre eles é enorme:
- SEO (Search Engine Optimization) é otimizar para aparecer numa lista de resultados, como no Google tradicional.
- AEO (Answer Engine Optimization) é otimizar para ser a resposta direta que ferramentas como o Google AI Overview ou o Google AI Mode mostram no topo da pesquisa.
- GEO (Generative Engine Optimization) é otimizar para ser citado dentro de uma resposta gerada por um sistema de IA generativa mais amplo, como o ChatGPT ou o Perplexity (Wikipedia).
Na prática os três sobrepõem-se e trabalham juntos. Pense neles como camadas da mesma estratégia de presença digital, não como coisas separadas. A boa notícia é que preparar o site para a IA não significa abandonar o SEO tradicional, significa reforçá-lo com uma camada extra. Grande parte do que já era boa prática em SEO (conteúdo útil, estrutura clara, velocidade de carregamento, dados atualizados) também ajuda o site a ser lido e citado por uma IA. A diferença é que agora também importa escrever para responder a uma pergunta específica, e não só para "ranquear" por uma palavra-chave, ter dados estruturados que ajudam as máquinas a perceber quem você é, e manter a informação consistente em todos os lugares onde a sua empresa aparece na web. No próximo capítulo vamos ao detalhe de como fazer isto na prática.
Como construir um website preparado para a era da IA
Construir um site pronto tanto para pessoas como para IA não exige reinventar a roda, exige alguns ajustes de fundo. Vamos por partes.
Arquitetura e estrutura técnica
Um site lento, com código desorganizado ou bloqueado para robôs, é invisível tanto para o Google como para as IA — se o sobrinho não consegue entrar em casa, também não vai citar o que está lá dentro. Alguns pontos básicos que fazem toda a diferença:
- Velocidade de carregamento, porque um site lento perde usuários e é mal rastreado
- Um ficheiro robots.txt e um sitemap.xml corretos, que permitam aos crawlers das IA e dos motores de busca percorrer o site sem barreiras
- HTML limpo, com títulos (H1, H2, H3) organizados de forma lógica, para que humanos e máquinas percebam a hierarquia do conteúdo
- Uma versão mobile bem feita, porque a maior parte do tráfego, humano ou não, passa primeiro por um telemóvel
Conteúdo claro, útil e fácil de interpretar
Uma IA não "entende" o seu site da mesma forma que uma pessoa entende uma conversa. Ela procura blocos de informação bem definidos, sem ambiguidade. Por isso:
- Responda à pergunta principal logo no início do texto, e só depois desenvolva o raciocínio
- Use frases diretas em vez de parágrafos longos cheios de rodeios
- Prefira uma linguagem simples à linguagem "de marketing" cheia de adjetivos vazios — uma IA, e um usuário, confiam mais em "entregamos em 48 horas" do que em "somos líderes em excelência e inovação"
Dados estruturados e informações consistentes
O schema markup é, na prática, uma forma de traduzir o seu site para uma linguagem que as máquinas entendem sem margem para erro: este é o nome da empresa, este é o preço, esta é a morada, esta é a avaliação média. Sem isso, uma IA tem de adivinhar, e uma IA que adivinha prefere não citar.
Tão importante quanto isso é manter a mesma informação (nome, morada, número de telefone, preços) igual em todos os lugares onde a empresa aparece: no site, no Google Meu Negócio, nas redes sociais, nos diretórios locais. Informação contraditória entre lugares diferentes é um dos motivos mais comuns para uma IA simplesmente evitar citar uma fonte.
Autoridade, fontes e sinais externos
Nem o Google nem o ChatGPT confiam cegamente no que uma empresa diz sobre si mesma. Confiam mais quando outros falam sobre ela: menções noutros sites, artigos que a citam, avaliações de clientes, presença em diretórios respeitados. É o velho conceito de autoridade digital, que continua tão relevante quanto sempre foi, só que agora também alimenta diretamente a confiança que uma IA deposita no seu site como fonte.
Experiência do usuário e conversão
No fim do dia, o site continua a precisar de converter quem lá chega, seja vindo de uma pesquisa tradicional ou de uma recomendação de IA. Isso significa navegação simples, chamadas de ação claras, formulários curtos, contactos visíveis e um caminho óbvio entre "estou interessado" e "falei com alguém desta empresa". Um lead qualificado que chega ao site e não encontra forma fácil de avançar é uma venda perdida, por melhor que tenha sido a citação que o trouxe até ali.
Como aumentar as hipóteses de o seu website ser citado por LLMs
Construir o site é só metade do trabalho. A outra metade é dar às IA boas razões para o escolherem entre milhares de fontes possíveis.
Criar conteúdo original e especializado
As LLMs preferem citar quem diz algo que não está repetido em mais cinquenta sites. Se o conteúdo do seu site é genérico, a mesma explicação que qualquer concorrente também tem, não há razão nenhuma para uma IA escolher citar você em vez de outra fonte qualquer. Dados próprios, experiência real, casos de clientes, opinião fundamentada sobre o seu setor: isto é o que separa uma fonte citável de mais um site igual aos outros.
Responder diretamente às perguntas dos usuários
Escreva títulos que são, literalmente, perguntas que um usuário faria: "quanto custa criar um site em Moçambique", "qual a diferença entre SEO e GEO", "vale a pena ter um site se não vendo online". Depois responda a essa pergunta na primeira ou segunda frase do texto, de forma direta. É exatamente este formato de pergunta e resposta clara que facilita a vida de uma IA na hora de extrair e citar um trecho do seu conteúdo.
Manter o conteúdo atualizado
Uma IA que cita uma informação errada porque o seu site não é atualizado há dois anos não vai voltar a confiar nessa fonte tão cedo. Preços, horários, serviços, número de contacto: tudo isto precisa de estar correto no momento em que é rastreado. Um site esquecido no ar é pior do que não ter site nenhum, porque passa a informação errada com a mesma confiança de uma informação certa.
Construir autoridade para além do próprio website
Nenhuma IA vive só do que está no seu site. Ela cruza isso com o que encontra sobre a sua empresa no resto da web: avaliações no Google, menções em artigos, presença em diretórios do setor, atividade nas redes sociais. Quanto mais consistente e mais presente a sua empresa estiver fora do próprio site, mais fácil se torna para uma IA confirmar que aquilo que o site diz sobre a empresa é verdade, e mais disposta ela fica a citá-lo.
Erros a evitar na construção de websites modernos
Depois de tudo isto, vale a pena nomear os erros mais comuns que continuo a ver empresas a cometer.
Criar um website apenas como cartão de visita
Um site com uma página de "Sobre nós", um número de telefone e pouco mais não dá a nenhuma IA, nem a nenhum humano, motivo suficiente para ficar. Se o site não responde a perguntas reais, não existe conteúdo para citar.
Publicar conteúdo genérico produzido em massa
Encher o site de artigos genéricos, escritos só para "ter conteúdo", sem nada de específico sobre a sua empresa ou o seu mercado, não ajuda em nada, nem no SEO tradicional, nem no GEO. Quantidade sem substância é, na melhor das hipóteses, ruído.
Ignorar SEO técnico
De nada serve ter o melhor conteúdo do mundo se o site demora oito segundos a carregar ou se os robôs de pesquisa nem sequer conseguem percorrê-lo. A base técnica continua a ser a fundação de tudo o resto.
Depender exclusivamente das redes sociais
Como já vimos, as redes sociais são espaço arrendado. Construir toda a presença digital da empresa só em cima do Instagram ou do TikTok é como construir uma casa em terreno que não é seu: funciona até o dono decidir mudar as regras.
Não atualizar informações importantes
Morada errada, número de telefone antigo, preços de há dois anos: pequenos detalhes que fazem uma IA, e um cliente, perder a confiança na sua empresa assim que descobrem a informação errada.
Conclusão
Voltando à pergunta do título: sim, ainda faz todo o sentido ter um website na era da IA. O que já não faz sentido é ter um site pensado só para 2020, à espera de um tipo de tráfego que já não se comporta da mesma forma.
O tio Google continua na sala, mas já não está sozinho. O sobrinho ChatGPT trouxe os amigos, o Gemini e o Perplexity, e juntos estão a decidir, cada vez mais, que empresas os usuários chegam a conhecer. A pergunta não é se a sua empresa deve ter um site. É se o site que ela tem está pronto para ser encontrado, entendido e citado por esta nova geração de usuários, humanos e máquinas.
Quem tratar isto a sério agora vai chegar mais cedo ao oceano azul de que falámos lá atrás. Quem continuar a construir sites como em 2020 vai continuar a perguntar-se, daqui a uns anos, para onde foi todo o tráfego.
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Perguntas Frequentes
Sobre o Autor
Josué Chone é especialista em desenvolvimento de software e soluções digitais, apaixonado por transformar negócios através da tecnologia e inteligência artificial.
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